Consignado CLT: crescimento e novas regras
Consignado CLT: Crescimento, Riscos e Novas Regras
📊 Texto atualizado para Blog da Centralmaster e ANAFCB
O crédito consignado privado, especialmente na modalidade CLT, deixou de ser um nicho e tornou-se uma das principais avenidas de expansão do sistema financeiro brasileiro. Em pouco mais de um ano, o mercado saltou de R$ 40 bilhões para R$ 140 bilhões, com mais de 23 milhões de contratos ativos e 104 instituições operando. A projeção é que alcance R$ 300 bilhões em até dois anos, consolidando-se como alternativa tão relevante quanto o consignado do INSS.
Esse avanço não se explica apenas pela demanda dos trabalhadores, mas pela capacidade das instituições de estruturar funding competitivo. O maior player da carteira hoje não é um banco tradicional, mas uma fintech de crédito que opera com FIDC, assumindo posição subordinada para viabilizar originação em escala. Isso mostra que quem resolve a estrutura de capital primeiro conquista espaço mais rápido.
🚨 Desafios e assimetrias
Apesar do crescimento, o mercado ainda enfrenta gargalos importantes. O problema central não é regulação, mas a ausência de padronização na análise de crédito. Há operações com inadimplência próxima de 10% e outras que chegam a 50%, um spread de 40 pontos percentuais dentro do mesmo produto. Essa disparidade revela falta de disciplina de underwriting e de gestão por vintage, o que compromete previsibilidade e confiança.
A questão-chave para investidores e gestores é: você está comprando uma carteira saudável ou uma carteira de alto risco? Sem estruturas claras de waterfall e subordinação ajustada por vintage, a resposta só aparece após os primeiros vencimentos — tarde demais para decisões estratégicas.
🛡️ Novas regras de proteção
A Resolução CGCONSIG/MTE Nº 2, aprovada em 2026, trouxe maior transparência e proteção ao consumidor. Entre os principais pontos:
- Limite para o CET: não pode ultrapassar 1% acima da taxa de juros mensal.
- Critério para juros abusivos: baseado na média ponderada do mercado, ajustada por desvio padrão.
- Cobranças permitidas: apenas juros, multa, mora, tributos e seguro prestamista opcional.
- Transparência obrigatória: instituições devem informar taxa e CET antes da contratação.
Essas mudanças reduzem custos ocultos e fortalecem a confiança dos trabalhadores que dependem do consignado para equilibrar suas finanças.
📈 Impacto para trabalhadores e empresas
Para quem tem carteira assinada, o consignado CLT representa acesso a crédito com taxas mais competitivas e desconto direto em folha, integrado ao eSocial e à Carteira de Trabalho Digital. Já para empresas, o desafio é garantir que os limites de 40% da remuneração sejam respeitados, evitando riscos trabalhistas e protegendo colaboradores.
🌐 Perspectivas
O futuro do consignado privado dependerá da velocidade com que a estruturação acompanha a originação. Se o mercado amadurecer em governança e padronização, o potencial de expansão é enorme. Caso contrário, a assimetria pode gerar crises de confiança e elevar riscos sistêmicos.
A Centralmaster reforça que educação financeira é essencial para que trabalhadores façam escolhas conscientes. Já a ANAFCB destaca o papel dos agentes financeiros e correspondentes bancários em ampliar acesso com responsabilidade e transparência.


