O Futuro da Inovação no Brasil
Decifrando o Caminho para um Salto Econômico
O Brasil se encontra em um ponto crucial em sua jornada de desenvolvimento. Em um cenário global cada vez mais competitivo, a capacidade de inovar e de investir em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) não é apenas um diferencial, mas uma necessidade estratégica para impulsionar o crescimento econômico e social sustentável. Ao olharmos para os números e as tendências, percebemos que, embora tenhamos avançado em alguns aspectos, ainda há um vasto potencial a ser explorado para o país se consolidar como um polo global de inovação.
O Cenário Global de PD&I: Onde o Brasil se Posiciona?
A inovação é o motor que impulsiona as economias mais dinâmicas do mundo. Países como Israel e Coreia do Sul lideram a corrida, investindo uma fatia significativa de seus Produtos Internos Brutos (PIB) em PD&I. Com impressionantes 6,35% e 4,96% do PIB, respectivamente, eles estabelecem um padrão elevado. Estados Unidos, Japão e Alemanha, por sua vez, formam um grupo intermediário robusto, com investimentos que variam entre 3% e 3,5% do PIB.
E o Brasil, como se encaixa nesse panorama? Com um dispêndio de 1,19% do PIB em PD&I, ficamos aquém da média da OCDE, que ronda os 2,7%. Essa distância, no entanto, não é um sinal de estagnação, mas sim um convite à ação. É um indicador claro de que temos espaço e necessidade de intensificar nossos esforços.
Uma análise mais aprofundada revela nuances importantes. Quando o foco recai sobre o investimento governamental em PD&I como percentual do PIB, o Brasil, com 0,27%, se posiciona de forma mais competitiva, alinhado a países como Estados Unidos e Espanha. Isso sugere que o setor público brasileiro tem um papel ativo na fomentação da pesquisa. Contudo, a verdadeira diferença entre as nações líderes e o Brasil emerge ao olharmos para o investimento do setor empresarial. Enquanto Israel destina cerca de 5,9% do seu PIB em PD&I via empresas, e a Coreia do Sul 3,93%, o Brasil contribui com apenas 0,6%. Essa baixa intensidade de investimento privado em inovação é um dos nossos maiores desafios, mas também uma gigantesca oportunidade para o setor produtivo.
A Dinâmica Interna da Inovação Brasileira
Ao longo da última década, o cenário de dispêndio em PD&I no Brasil passou por transformações notáveis. Entre 2014 e 2023, o setor empresarial assumiu a liderança, investindo mais em pesquisa, desenvolvimento e inovação do que o setor público e o ensino superior. A partir de 2018, essa tendência de crescimento gradual no investimento empresarial se consolidou, elevando a participação das empresas no financiamento total da PD&I de cerca de 40% para mais de 50%.
Por outro lado, o investimento governamental em PD&I sofreu retrações, com uma leve recuperação recente, enquanto o ensino superior manteve uma trajetória mais estável. Essa mudança no perfil de financiamento, com o setor privado ganhando protagonismo, é um indicativo de amadurecimento e reconhecimento da importância da inovação para a competitividade das empresas. No entanto, o dispêndio total em PD&I como proporção do PIB tem se mantido em torno de 1,1% a 1,2%, um patamar que nos lembra da urgência em ampliar a intensidade de investimento.
A distribuição do dispêndio em ciência e tecnologia por órgãos federais também aponta para a relevância da educação e da ciência. O Ministério da Educação e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) são os principais responsáveis, respondendo por 46,8% e 27% dos investimentos, respectivamente.
Desafios e Pontos Fortes: A Balança da Inovação
Apesar do cenário promissor de um setor privado mais engajado, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais:
- Investimento Insuficiente no PIB: A lacuna em relação aos líderes globais no percentual do PIB dedicado a PD&I é significativa, exigindo um aumento substancial de recursos, tanto públicos quanto privados.
- Cultura de Inovação Reativa: Diferente de países como Israel e Alemanha, onde a inovação é proativa e focada na disrupção, o Brasil ainda demonstra investimentos mais reativos, muitas vezes atrelados ao faturamento e não a uma visão estratégica de longo prazo. É fundamental cultivar uma mentalidade que enxergue a PD&I como um motor de crescimento.
- Burocracia e Complexidade: A complexidade regulatória e a burocracia são obstáculos que dificultam o acesso a incentivos e a agilidade nos projetos de PD&I, um contraste com a simplificação vista em economias mais avançadas.
- Lacunas na Transferência de Conhecimento: A conexão entre a academia, os centros de pesquisa e as empresas ainda precisa ser aprimorada para que a pesquisa se traduza em inovações práticas e comercializáveis, algo em que Alemanha e Israel são referências.
Contudo, não podemos ignorar os pontos fortes que servem de alicerce para o futuro da inovação brasileira:
- A Lei do Bem: Este robusto instrumento de incentivo fiscal tem sido crucial para estimular o investimento privado em PD&I, oferecendo deduções no IRPJ/CSLL, redução de IPI e depreciação acelerada, comparáveis a incentivos internacionais.
- Potencial de Mercado e Setores Estratégicos: Nosso vasto mercado interno e a proeminência em setores como agronegócio, energia e Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) fornecem um terreno fértil para o desenvolvimento de soluções locais com potencial de escalabilidade global.
- Geração de Talentos: A formação de profissionais qualificados em diversas áreas e a existência de um mercado de trabalho em PD&I indicam um capital humano em desenvolvimento, pronto para ser plenamente aproveitado.
Lições e Recomendações para o Brasil
O sucesso de nações inovadoras oferece um mapa para o Brasil. A China, por exemplo, destaca-se por sua visão estratégica de longo prazo, integrando P&D à política industrial e ao desenvolvimento social, além de investir massivamente na formação de capital humano. Israel e Alemanha, por sua vez, demonstram a importância de ecossistemas colaborativos robustos, onde universidades, centros de pesquisa, startups e governo atuam em sinergia, e um foco incisivo na aplicação e comercialização dos resultados de pesquisa.
Diante disso, algumas recomendações emergem como essenciais para consolidar o Brasil no cenário global de inovação:
Para o Governo:
- Estratégia de Longo Prazo: É vital construir uma estratégia de inovação de longo prazo, com metas claras e revisões periódicas, priorizando infraestruturas de C,T&I, formação de clusters regionais e saltos tecnológicos.
- Alinhamento MEC-MCTI: Promover a cultura de inovação desde a educação básica e alinhar o ensino superior às demandas do mercado, fortalecendo a relação universidade-empresa.
- Segurança Jurídica: Garantir maior liberdade para universidades e centros de pesquisa públicos e alinhar os conceitos sobre inovação e políticas públicas entre os atores e órgãos de controle.
- Regimes Fiscais Diversificados: Ampliar incentivos com superdeduções, créditos fiscais e depreciação acelerada para PD&I, e modernizar a Lei do Bem para incluir startups e permitir o uso do benefício em anos subsequentes de prejuízo.
Para o Setor Privado:
- Elevar o Esforço em PD&I: Aumentar o percentual da receita investido em PD&I, assumindo a liderança no financiamento.
- Fortalecer Parcerias: Densificar os laços com universidades e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), ampliando sua participação nos processos de inovação.
- Inovação Aberta: Fortalecer modelos de inovação aberta com startups para acelerar a conversão de pesquisa em resultados e a exportação tecnológica.
- Gestão da Inovação: Aprimorar a gestão com metodologias ágeis, métricas de desempenho e uma cultura orientada a resultados, transformando ativos científicos em valor de mercado.
A jornada do Brasil para se tornar uma potência inovadora é ambiciosa, mas plenamente alcançável. Exige um compromisso conjunto do governo, do setor privado e da academia. Ao implementar essas estratégias e aprender com as melhores práticas internacionais, podemos pavimentar o caminho para um futuro onde a inovação seja a força motriz de nossa economia. Com análises aprofundadas e acesso a informações estratégicas, como as que a Centralmaster se dedica a oferecer, empresas e formuladores de políticas podem tomar decisões mais embasadas, impulsionando o progresso.
O momento é agora para o Brasil abraçar seu potencial e construir um ecossistema de inovação que não apenas acompanhe, mas lidere a transformação global.
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