Fraude Corporativa
Como Identificar e Proteger Sua Empresa
No complexo cenário econômico atual, a fraude corporativa persiste como uma ameaça velada, capaz de erodir a confiança, desviar recursos valiosos e impactar profundamente a sustentabilidade das organizações. Embora frequentemente associada a esquemas grandiosos, a realidade é que muitas vezes o inimigo reside dentro de casa, disfarçado sob uma fachada de lealdade e competência. Mas, afinal, quem é essa figura e como podemos nos proteger?
Uma pesquisa global aprofundou-se no perfil do fraudador típico, desvendando seus métodos e as fragilidades organizacionais que ele explora. Os resultados são um alerta valioso para gestores e empresários que buscam fortalecer a segurança empresarial e a governança corporativa.
O Rosto Por Trás da Fraude: Quem é o Fraudador Típico?
Contrariando o senso comum, o fraudador corporativo raramente é um estranho. A pesquisa revela que, em grande parte, ele é um homem, com idade entre 36 e 55 anos, e que possui um longo histórico na empresa, muitas vezes mais de seis anos de casa. Curiosamente, essa pessoa é descrita como “altamente respeitada”, “extrovertida” e “agradável”, com uma reputação geralmente ilibada. Este perfil sublinha a importância de uma cultura organizacional robusta e a vigilância constante, mesmo em relação aos colaboradores mais confiáveis.
A motivação principal para o ato fraudulento raramente está ligada a dificuldades financeiras pessoais ou ao desejo de proteger a empresa. Na vasta maioria dos casos, o que impulsiona o fraudador é o simples ganho financeiro e a ganância, seguido de um comportamento oportunista. É um lembrete contundente de que, sem os controles internos adequados, a oportunidade pode ser um convite irresistível à má conduta. O nível hierárquico dos fraudadores é surpreendentemente equilibrado entre executivos (31%), gestores (30%) e funcionários (24%), indicando que a gestão de riscos deve ser abrangente e atingir todos os escalões.
A Natureza da Decepção: Como e Onde Ela Acontece?
Quando falamos em tipos de fraude, a apropriação indevida de ativos lidera o ranking, respondendo por mais da metade dos casos. Isso inclui desde desfalques – onde indivíduos em posições de confiança se apropriam indevidamente de ativos – até fraudes em processos de compras, muitas vezes envolvendo conluio com fornecedores para inflacionar preços. Outras formas significativas incluem a falsificação de documentos e o furto de ativos.
Os departamentos mais vulneráveis são as Operações, Finanças, Gabinete do CEO e Compras. A alta ocorrência no Gabinete do CEO não implica necessariamente a participação do CEO, mas sim a maior autoridade e, consequentemente, as maiores oportunidades para a prática da fraude nessa área. Em termos financeiros, a maioria das fraudes (78%) envolve valores abaixo de US$ 200 mil, mas os casos transfronteiriços, embora menos frequentes, tendem a gerar perdas muito maiores, acima de US$ 5 milhões.
As Rachaduras nos Alicerces: Vulnerabilidades Sistêmicas
Um dos achados mais críticos da pesquisa é que controles frágeis são o principal facilitador da fraude, sendo a causa em três quartos dos casos. Um dado ainda mais alarmante é que mais da metade das organizações vítimas não possuía sequer controles antifraude no momento em que a irregularidade foi cometida. Para aquelas que os tinham, os mecanismos mais comuns eram o código de conduta, a auditoria interna e o canal de denúncias.
A forma mais comum de detecção de fraude ainda são as denúncias, sejam elas formais ou informais, reforçando a importância de um ambiente que incentive a ética empresarial e a transparência, onde os colaboradores se sintam seguros para reportar atividades suspeitas.
Outro fator relevante é a “autoridade ilimitada”. Casos de fraude de alto valor (acima de US$ 1 milhão) estão frequentemente associados a perpetradores com ampla autonomia e pouca supervisão. Isso ressalta a necessidade de estabelecer limites claros de autoridade e mecanismos de verificação, independentemente da posição do indivíduo.
Por fim, a transição para o trabalho remoto durante a pandemia de COVID-19 teve um impacto mínimo na incidência geral de fraudes. Embora tenha gerado novos desafios, como a falsificação de documentos ou a falta de verificação de fornecedores, não foi um impulsionador significativo para o aumento dos crimes corporativos.
A Fronteira Digital: Fraude Cibernética e o Papel da Tecnologia
A fraude cibernética, embora ainda represente uma pequena parcela dos casos analisados (5%), é uma área de crescente preocupação. Phishing, fraude do CEO, comprometimento de e-mail corporativo (BEC) e hacking são as táticas mais comuns, visando dados pessoais, interrupção de serviços, extorsão e roubo de identidade. As equipes envolvidas geralmente são hackers tecnicamente proficientes.
É crucial destacar que a inteligência artificial (IA) e as criptomoedas, apesar de ainda não serem predominantes, são esperadas para se tornarem fatores cada vez mais relevantes no cenário da fraude, especialmente com o avanço de “deepfakes” para personificação de autoridade. As organizações devem se preparar para a evolução dessas ameaças, investindo em cibersegurança e treinamento contínuo.
Curiosamente, a tecnologia não foi um fator determinante em grande parte das fraudes tradicionais analisadas. Quase metade dos casos ocorreu sem o uso de tecnologia, e em muitos outros, seu papel não foi essencial para a execução do crime. Isso pode indicar que a tecnologia, ao mesmo tempo que abre novas frentes para a fraude, também deixa mais rastros e fortalece as defesas organizacionais quando bem implementada.
Fortalecendo Suas Defesas: Estratégias Essenciais para Proteção
Para mitigar os riscos e proteger sua empresa contra o inimigo oculto, as organizações devem adotar uma abordagem proativa e multifacetada, com foco em:
- Aprimorar Mecanismos de Detecção: Implementar análises avançadas de dados e tecnologias específicas para a detecção de fraude, investigando proativamente atividades suspeitas e atualizando constantemente as estratégias.
- Fortalecer Controles Internos: Estabelecer e reforçar controles robustos, com auditorias regulares, sistemas de monitoramento eficazes e, fundamentalmente, limites claros de autoridade e supervisão consistente para todos os níveis hierárquicos.
- Promover uma Cultura Ética: Cultivar um ambiente de “voz ativa”, onde os colaboradores se sintam seguros para relatar irregularidades através de canais formais de denúncias, e oferecer treinamentos regulares sobre compliance e comportamento ético.
- Estimular Colaboração e Transparência: Reduzir oportunidades de conluio entre departamentos, realizando verificações de antecedentes rigorosas e monitoramento contínuo, especialmente para posições sensíveis.
- Conhecer Seus Parceiros de Negócio: Realizar uma due diligence aprofundada de terceiros e verificações periódicas para fornecedores de alto risco ou com gastos repentinos, confirmando sua legitimidade e a justificativa comercial. É nesse ponto que uma parceira como a Centralmaster pode oferecer soluções estratégicas para otimizar a gestão de riscos com terceiros, garantindo mais segurança e integridade.
- Adaptar-se às Mudanças Tecnológicas: Manter-se atualizado sobre os avanços tecnológicos e seu impacto potencial na fraude, investindo em medidas de cibersegurança e capacitando os colaboradores para reconhecer e responder a ameaças digitais.
A fraude corporativa é um desafio dinâmico que exige vigilância contínua e aprimoramento constante das defesas. Ao compreender o perfil do fraudador e as vulnerabilidades exploradas, sua empresa pode construir uma fortaleza de integridade e segurança, protegendo seu patrimônio e garantindo a confiança de seus stakeholders.
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