Tecnologia Bancária – tendências do FEBRABAN Tech
O Futuro da Tecnologia Bancária: Tendências do FEBRABAN Tech
O ecossistema financeiro brasileiro passa por um ciclo sem precedentes de investimentos em tecnologia e infraestrutura digital. Na edição de 2026 do FEBRABAN Tech — o maior evento de tecnologia e inovação do sistema financeiro da América Latina —, o setor bancário consolidou a transição da mera digitalização para a era da inteligência aplicada, da governança de dados e das finanças embarcadas (embedded finance).
Com base na 34ª Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária (realizada pela Deloitte), os bancos brasileiros aportaram R$ 46,8 bilhões em tecnologia em 2025 e projetam atingir R$ 50,4 bilhões em 2026. Este volume representa uma expansão de 8% no ano e um crescimento acumulado de 58% nos últimos cinco anos, sustentando uma infraestrutura capaz de suportar um consumidor cada vez mais digitalizado.
- O Novo Perfil do Consumidor e as Prioridades do Setor
A aceleração dos investimentos responde diretamente às mudanças no hábito dos usuários. Atualmente, 83% das transações bancárias no Brasil ocorrem por canais digitais, sendo 78% realizadas via smartphones — canal que registrou alta de 11% frente ao período anterior. Além disso, 76% dos usuários digitais são considerados heavy users, respondendo por mais de 80% do volume total de transações do sistema.
Prioridades Estratégicas e Arquitetura de TI
Diante desse volume de tráfego, as instituições financeiras redefiniram suas prioridades orçamentárias:
| Prioridade Estratégica | Índice de Adoção / Impacto | Foco Principal |
| Cibersegurança & Prevenção à Fraude
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100% dos bancos (prioridade alta ou média) | Autenticação, proteção de dados e resiliência operacional. |
| Cloud & Infraestrutura Moderna
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Investimentos crescentes | Migração para nuvem, resiliência e escalabilidade de novos canais. |
| Inteligência Artificial (IA) Generativa
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Eixo central de inovação | Hiperpersonalização de jornadas, atendimento em linguagem natural e eficiência operacional. |
| Open Finance e Pix
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Mais de 210 milhões de consentimentos | Monetização de dados, embedded finance e novos produtos (Pix Automático e por aproximação). |
- A Evolução da Inteligência Artificial e a Regulação no Crédito
Diferentemente de edições anteriores focalizadas na inovação conceitual, o debate atual sobre IA no sistema financeiro migrou para a governança, ética e inteligência preditiva.
A IA Generativa consolidou-se na rotina das instituições para além dos chatbots tradicionais, evoluindo para assistentes virtuais contextuais e agentes inteligentes em plataformas operacionais. No mercado de crédito, modelos de aprendizagem profunda (deep learning) passam a analisar dados não convencionais para a composição do score de crédito de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) e tomadores sem histórico financeiro tradicional, aumentando a precisão dos diagnósticos de adimplência e reduzindo assimetrias de informação.
- Open Finance, Pix e Finanças Embarcadas
O ecossistema do Open Finance ultrapassou a marca de 10 bilhões de chamadas semanais, exigindo maior foco na qualidade e padronização dos dados trocados entre os participantes. A maturidade do modelo abre caminho para o avanço do embedded finance (finanças embarcadas), no qual serviços financeiros como pagamentos, crédito e seguros são integrados nativamente às jornadas digitais de empresas de outros setores da economia.
Paralelamente, o Pix consolida sua transição de simples meio de pagamento para um ecossistema completo de produtos. A expansão contempla recursos como Pix Automático, pagamentos por aproximação e autenticação biométrica, servindo como ferramenta primordial para a inclusão financeira em regiões de menor bancarização tradicional.
- Estratégias para Acompanhar a Inovação Bancária
Para bancos, cooperativas de crédito, fintechs e correspondentes bancários, a adaptação às diretrizes estabelecidas na convenção do setor exige decisões práticas:
- Adequação às Exigências de Segurança: A implementação de camadas robustas de prevenção à fraude e proteção de dados é pré-requisito para manter a confiança do cliente e cumprir as exigências regulatórias do Banco Central e dos padrões da Febraban.
- Modelos Modulares e Baixa Latência: A arquitetura de TI precisa suportar altos volumes transacionais sem comprometer o tempo de resposta, favorecendo o uso de plataformas com infraestrutura integrada e core bancário flexível.
- Capacitação Humana e Agentes Inteligentes: A convergência entre automação avançada e o protagonismo dos operadores garante eficiência no backoffice e maior assertividade no relacionamento direto com o consumidor final.
Plataformas de apoio tecnológico e conectividade operacional, como as desenvolvidas no ecossistema da Centralmaster, auxiliam as empresas do setor na automação de processos, enquanto entidades representativas, como a ANAFCB, fornecem o suporte normativo e institucional indispensável para orientar os agentes financeiros nesse novo cenário de convergência tecnológica.


