Regulação do BaaS
O Impacto no Futuro dos Serviços Financeiros no Brasil
O modelo de Banking as a Service (BaaS) vem transformando o ecossistema financeiro global e brasileiro, permitindo que empresas de diversos setores ofereçam serviços bancários e de pagamento digital sem a necessidade de uma licença própria. Essa inovação facilitou a inclusão financeira, promoveu a digitalização bancária e impulsionou a competitividade entre fintechs e instituições financeiras tradicionais. Entretanto, junto com os benefícios, o BaaS também trouxe novos desafios regulatórios e riscos sistêmicos que precisam ser mitigados para assegurar a saúde do mercado financeiro.
Diante desse contexto, o Banco Central do Brasil (BCB) iniciou, em outubro de 2024, a Consulta Pública 108/2024 para estabelecer diretrizes específicas para o BaaS, com previsão de publicação das novas normas no segundo semestre de 2025. Esse movimento visa equilibrar dois objetivos: promover a inovação tecnológica e fortalecer a segurança e a transparência no sistema financeiro.
Por Que Regular o BaaS Agora?
O crescimento exponencial do BaaS impulsionou seus benefícios, mas também revelou falhas regulatórias que comprometem a segurança e a confiança no sistema. Entre os principais riscos associados ao modelo, destacam-se:
- Complexidade Operacional: A integração entre bancos, fintechs e fornecedores de tecnologia aumenta os desafios na gestão e supervisão das operações.
- Vulnerabilidades de Segurança: O aumento da superfície de ataque amplia o risco de fraudes e cibercrimes.
- Falta de Clareza nas Responsabilidades: Muitas vezes, torna-se difícil identificar quem deve responder por falhas, especialmente em modelos de “marca branca”.
- Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD) e Financiamento ao Terrorismo (FT): A utilização do BaaS para atividades ilícitas é um risco latente, especialmente diante da expansão no número de players.
A regulação do BaaS, portanto, surge como uma etapa essencial para garantir a sustentabilidade do sistema financeiro e proteger consumidores e empresas.
Os Pilares da Nova Regulação
A consulta pública conduzida pelo Banco Central traz diretrizes que moldarão o futuro do BaaS no Brasil. Entre os principais eixos, podemos destacar:
- Responsabilização Solidária
Os bancos parceiros e fintechs serão corresponsáveis pela segurança, compliance e prevenção de crimes financeiros. Não será mais permitido terceirizar segurança sem supervisão ativa.
- Exigências de Transparência
Os consumidores finais devem ser claramente informados sobre a instituição financeira que está por trás dos serviços oferecidos. Modelos que escondem essa informação (como em algumas “marcas brancas”) estarão sujeitos a maior escrutínio regulatório.
- Governança de Riscos Robustecida
O Banco Central exigirá que os participantes do ecossistema revejam e fortaleçam suas práticas de gestão de riscos operacionais, cibernéticos e regulatórios, com relatórios contínuos de conformidade.
- Segurança da Informação e Alinhamento à LGPD
A proteção de dados financeiros terá prioridade, com regulamentações mais rígidas para evitar vazamentos e uso indevido de informações. Consequências severas serão aplicadas em casos de violações, alinhando-se à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
- Auditorias Independentes Mais Frequentes
O Banco Central intensificará monitoramentos e auditorias, exigindo relatórios periódicos e avaliações externas sobre a conformidade das operações BaaS.
Além disso, a regulação deverá abordar temas como:
- Limites para contratações entre partes relacionadas (como fornecedores e controladores).
- Capital prudencial necessário para operações seguras e sustentáveis.
- Exclusão de iniciadores de transação de pagamento (ITP) e serviços de câmbio eletrônico (eFX) do escopo do BaaS, já que possuem regulamentações próprias.
Impactos para os Participantes do Mercado
A nova regulação impactará cada agente do ecossistema BaaS de formas distintas:
- Fintechs
Com o aumento das exigências de compliance, as fintechs precisarão investir em:
- Equipes especializadas em gestão de riscos e proteção de dados.
- Sistemas que garantam rastreabilidade e monitoramento constante de operações.
- Acordos mais detalhados com bancos parceiros, incluindo cláusulas para respostas rápidas a incidentes operacionais ou ciberataques.
- Bancos e Instituições Financeiras
A regulação força os bancos a adotarem uma postura mais criteriosa na escolha de parceiros e a expandirem suas responsabilidades com:
- Avaliação de riscos reputacionais e operacionais.
- Implementação de sistemas mais seguros para integrações tecnológicas.
- Maior foco na supervisão de parceiros fintechs, eliminando brechas que possam comprometer sua reputação regulatória.
- Fornecedores de Core Banking
O reforço regulatório aumenta a demanda por soluções que:
- Garantam conformidade automatizada (RegTechs).
- Incluam certificações de segurança, como ISO 27001 e PCI DSS.
- Ofereçam funcionalidades avançadas para governança e auditoria de operações digitais.
Oportunidades para o Mercado com a Nova Regulação
Embora muitas empresas possam enxergar a regulação como um obstáculo inicial, ela representa uma chance de crescimento sustentável para o mercado financeiro. Algumas das oportunidades incluem:
- Consolidação de Players: As normas exigirão mais robustez das operações, favorecendo fintechs e instituições financeiras preparadas para enfrentar desafios.
- Novos Modelos de Parcerias: O compartilhamento de responsabilidades ampliará os investimentos colaborativos em tecnologia e segurança.
- Crescimento das RegTechs: Soluções tecnológicas que automatizam auditorias e processos de compliance ganharão força no setor.
- Fortalecimento da Confiança do Consumidor: A jornada digital do cliente será beneficiada por operações mais seguras e transparentes.
Centralmaster: Parceira Estratégica na Transformação do BaaS
Com a crescente regulação do BaaS, a Centralmaster posiciona-se como parceira estratégica para organizações que buscam se adaptar a esse novo cenário. A empresa oferece soluções completas em:
- Gestão de riscos e compliance regulatório.
- Cibersegurança avançada, alinhada à LGPD e às melhores práticas de mercado.
- Auditorias independentes, monitoramento de integrações tecnológicas e controle de dados sensíveis, garantindo rastreabilidade e segurança.
A Centralmaster entende que o fortalecimento do ecossistema financeiro brasileiro exige mais do que tecnologia. É preciso construir operações eficientes, éticas e seguras para acompanhar a evolução do mercado.
Conclusão: Um Passo para a Maturidade Financeira
A regulação do BaaS no Brasil é um marco que sinaliza a evolução e a consolidação do mercado financeiro digital. Ao trazer segurança jurídica e fortalecer a infraestrutura tecnológica, as novas normas contribuirão para um ambiente mais confiável, competitivo e inovador.
Empresas que implementarem as mudanças com antecedência, utilizando ferramentas para mitigar riscos e otimizar o compliance, estarão preparadas para liderar esse novo cenário. O Banco Central, ao equilibrar inovação e segurança, pavimenta o caminho para uma transformação mais madura e sustentável.
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